Nem Geração Coca-Cola, nem Perfeição

PCB Foz 10 de julho de 2013 Comentários

Alexandre Palmar

Difícil encontrar uma pessoa alheia à explosão das massas ocorrida no Brasil. Milhões têm ido às ruas, apoiam, criticam ou acompanham o movimento a certa distância. A aparente passividade sucumbiu diante de uma intensa insatisfação do povo. As contradições da vida real eclodiram nas ruas em todos os setores da sociedade.

0807site_passeata_alceu23As manifestações desmentiram a propaganda oficial dos governos de que tudo está bem. Mais do que isso. O descontentamento geral abalou a democracia representativa e demonstrou a despolitização de boa parte da população. A ira sobre partidos é compreensível, mas injustificável.

É preciso diferenciar os partidos oportunistas daqueles que sempre estiveram nas lutas populares ao lado dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos coletivos, entre outras formas de organização. Talvez seja a hora de juntar quem já estava nas ruas com quem estreou em passeatas. Afinal parece que hoje está mais fácil ir pra rua.

Mas vamos deixar o nariz de palhaço no circo. Não é possível aceitar medidas paliativas, como redução da tarifa da passagem em troca da isenção de impostos para as concessionárias. A alternativa é defender transporte, educação e saúde com caráter público, sem a presença de empresas ou parcerias público-privada.

É preciso rejeitar soluções onde o lucro de alguns está acima do respeito aos serviços públicos usados pela maioria da população. Logo é hora de apontar para as contradições do capitalismo – ainda que a maioria dos manifestantes não identifique nele a origem dos problemas expostos em seus cartazes. Estudiosos dos #ocupy mundo afora reconhecem que o movimento falhou ao não defender uma sociedade socialista.

Quem vibrou com a onda de protestos, tem agora a oportunidade de debater as próprias escolhas da sociedade. Temos visto uma marcha bem maior em construção do que as revoltas da salada. O preconceito, o ódio, a xenofobia, a intolerância, a perseguição religiosa e ideológica estão por aí, cada vez mais claras na internet, onde desnudamos nossa estupidez. Uma hora tudo isso também explode nas ruas. Daí danou-se.

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Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
Texto publicado originalmente na revista Escrita, edição 28.