Brasil, idolatrado, Salve, Salve!

PCB Foz 7 de setembro de 2012 Comentários
Brasil, idolatrado, Salve, Salve!

* Comitê de Apoio

Dia 7 de setembro. Festejos reverenciam o dia da “Independência do Brasil”. Marcado por tradicionais desfiles e pela presença garantida de autoridades locais, este dia também tem sido usado para promover protestos e denúncias públicas.  O Grito dos Excluídos, coletivo que mobiliza diversas intervenções pelo país e articula movimentos sociais, aproveita o palco armado para incentivar a tomada da cidadania ativa e propor mudanças nos caminhos do nosso país.

 Mas perái, por que fazer de um dia de comemoração um ato político?

A resposta desta pergunta esta ligada a outras tantas perguntas como: A independência do Brasil foi conquistada por quem? Como ela ocorreu? Quanto ela rendeu ou custou ao povo? Ela contribuiu com os avanços da soberania nacional?

Precisaremos de um breve mergulho na história para pensarmos sobre estas questões. Para começar, sabemos que o Brasil nasceu de um processo de colonização. A corrida mundial em busca de riquezas incentivada pelo capitalismo mercantil, fez Portugal “descobrir” aqui uma bela fonte de recursos naturais. Nossa região passou a ser vista como tesouro necessário para alavancar Impérios, em principal,  a Corte portuguesa.

Os povos que aqui habitavam foram escravizados e as terras divididas entre donatários, funcionários nomeados pelo governo português para explorar metais preciosos, desenvolver a produção, fundar vilas e administrar a justiça A Coroa – Império- controlava todos os investimentos, importações e exportações e as ocupações territoriais, contando com forças militares capazes de impor o domínio em caso de conflitos. Assim, entre conflitos sociais foram surgindo as capitanias hereditárias, que determinaram os contornos dados as províncias.

O desenvolvimento local passou a ser cobiçado pelas elites economicas e por outras nações que queriam se beneficiar com a extração das matérias-primas. A metrópole portuguesa com o monopólio do mercado da colônia, cobrava taxas e impostos abusivos, o que despertou a vontade de ampliar a produção e comercio daqueles até então estavam aliados. As insurgências políticas da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, desencadeou um movimento das elites provincianas, que encontraram apoio no filho do rei de Portugal, D.Pedro I  para inciar um processo de emancipação.

Os interesses comerciais da elite agrária, agroexportadora, somada ao projeto político de D.Pedro I em se tornar Imperador do Brasil, configurou o que ficou considerada “emancipação política” de nosso país. Porém algo vinha na contramão desta proposta. O reconhecimento da independência do Brasil por Portugal custou alguns milhões a D.Pedro, que não tendo da onde tirar o valor, recorreu a um empréstimo cedido pela Inglaterra. Segundo estudiosos, este foi o marco do inicio da divida externa do Brasil e a internacionalização da economia brasileira.

O que tivemos diante estes fatos foi uma articulação que rendeu a compra de nossa “independência. Proclamada por uma aliança política unida em torno de interesses economicos, ela foi seguida pela instauração de uma monarquia absoluta de linhagem portuguesa, apoiada pela elite dominante agrária, que estava diretamente atrelada aos interesses capitalistas nacionais e ao capital internacional. Desta forma a dinâmica social manteve-se na mesma lócagica, extração de recursos pela mão de obra escrava, exploração do povo, subordinação política e econômica as grandes potências e a uma dificuldade cronica em edificar um Estado autônomo, soberano e democrático.

A independência do Brasil ainda é uma conquista a ser alcançada. Para isso precisamos ativar a cidadania como instrumento dos povos excluídos, unir os explorados para derrubar os privilégios dos protegidos e privilegiados pelo poder usurpado através dos governos que atendem aos interesses elitistas. Comemorar uma data que apenas reestruturou nossa relação de colônia dentro das relações imperialistas é ignorar as amarras que nos mantém presos e aprofundam as desigualdades sociais.

 

* Comitê de Apoio à Candidatura de Claudio Siqueira

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