Eleições para prefeito em Foz – Nota política do PCB

PCB Foz 28 de março de 2017 Comentários
Eleições para prefeito em Foz – Nota política do PCB

Entra na reta final a eleição que definirá o prefeito de Foz do Iguaçu para os próximos anos. A onda de denúncias que esquenta o “clima” de disputa e enfrentamento sugere grandes diferenças entre os postulantes, mas esconde que os candidatos defendem os mesmos interesses e estão atrelados aos mesmos grupos políticos e econômicos que se perpetuam no poder.

Os partidos que disputam a confiança dos eleitores neste pleito ora estão juntos, ora estão separados, dependendo das conveniências. A posição depende da correlação de forças do momento, determinada pelo alinhamento dos grandes grupos econômicos por trás de cada candidatura e suas relações com os projetos dos caciques políticos no Paraná e no Brasil. O interesse popular e coletivo está sempre em segundo plano.

Quem vencer em 2 de abril repetirá a fórmula vista há décadas na fronteira: a prefeitura e seu orçamento de mais de R$ 800 milhões por ano nas mãos de poucos em negociatas obscuras. Para a maioria da população sobram apenas esmolas a fim de evitar o colapso dos serviços públicos precários, sobretudo na saúde, educação e segurança – o que poderia resultar numa perda de voto na próxima eleição da vez.

Essa é a análise dos militantes do PCB em Foz do Iguaçu reunidos em reunião plenária comemorativa aos 95 anos de fundação do Partido Comunista Brasileiro. Os militantes debateram, avaliaram e deliberaram sobre a conjuntura política. Os comunistas analisaram, especialmente, o quadro de ataques do governo federal contra os direitos dos trabalhadores e a eleição municipal suplementar em Foz.

 Nacional

O impeachment de Dilma Rousseff (PT) realinhou as forças políticas e econômicas, permitindo às classes dominantes a radicalização de um projeto antipovo, que visa a dar sobrevida ao capitalismo em crise estrutural. Reunidos em torno de Michel Temer, PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB, PR, DEM, PTB, PPS, PRB e PV pretendem cobrar dos trabalhadores o preço da crise.

Mergulhada em corrupção, a base aliada de Temer conduz o país para um abismo social e econômico, retira direitos conquistados pelos trabalhadores, sucateia serviços públicos essenciais para a população e desmonta o frágil sistema de proteção social. A toque de caixa, o governo Temer limitou gastos públicos, cortando investimentos em programas sociais, e aprovou a terceirização em todas as atividades de empresa – na prática, acabando com os direitos trabalhistas.

Os ataques comandados por aqueles partidos continuam. Estão em curso as reformas da Previdência (permitindo a aposentadoria apenas à beira da morte) e trabalhista (que pretende acabar com os direitos de quem resistir com carteira assinada: 13º salário, FGTS, férias, entre outros).

Em Foz

eleitorAo relacionar esses fatos que prejudicam diretamente a vida do povo brasileiro, logo é de se pensar que jamais estariam juntos em uma eleição os partidos divididos pelo processo de impeachment que retirou do poder a presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Ledo engano. Em Foz do Iguaçu, estão todos juntos e misturados.

É preciso lembrar ainda o caráter extraordinário desta eleição. Em outubro de 2016, esses mesmos partidos estavam agrupados em cinco candidaturas. A impugnação do candidato mais votado, os efeitos da Operação Pecúlio e os olhos voltados à próxima eleição para governador do Paraná resultaram em novo reagrupamento das forças na cidade em poucos meses.

Assim torna-se grave o fato de que o governador Beto Richa (PSDB) deverá sair vencedor das eleições suplementares iguaçuenses, pois sua base política está estacionada nas duas candidaturas com maiores chances de vitória.

Phelipe Mansur (Rede) tem o apoio direto do governador e soma os tucanos oficialmente em sua aliança eleitoral, além de coligar-se com o PMDB. Chico Brasileiro (PSD) tem o apoio da vice-governadora, Cida Borghetti (PROS), e de seu marido, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), além de Ratinho Junior (PSD), secretário de Richa.

O diagnóstico pode ser mais preciso. Chico Brasileiro é do PSD e está coligado com PCdoB, PP, PTB, DEM, PRTB, PEN, SD, PHS e PRB. Phelipe Mansur é da Rede e está com o PMDB, PSDB, PDT, PR e PSDC. Pela disputa à Prefeitura de Foz do Iguaçu, adaptam o discurso para escamotear o balcão de negócios em que quem retira mais direitos dos trabalhadores ganha maior relevância na aliança.

Coerência é algo inexistente nos balcões desses partidos. Não por acaso devem ser registrados novamente altos índices de abstenção e votos nulos e brancos como na última eleição. Esse é um jogo que não interessa aos trabalhadores e às forças progressistas iguaçuenses.

Camaleões

Para esconder a contradição e o oportunismo, os candidatos dizem que uma eleição municipal é algo “muito local e distante das disputas estaduais e nacionais da sociedade”. Mas essa justificativa é esquecida na hora de propagandear o apoio de “autoridades estaduais e nacionais” para “trazer recursos, investimentos e obras” para Foz. A propaganda eleitoral está cheia desses caciques.

Outro argumento presente na eleição municipal é o “apartidarismo”, “o gestor que não é político” e “negação da própria política”. O candidato cheio de boa intenção é mais importante do que o seu partido. É mentira! Os interesses de candidatos e partidos nunca estão restritos a um município. A disputa política na fronteira passa principalmente por Curitiba e Brasília. Negar isso é imaginar que o iguaçuense vive numa república à parte ou numa bolha.

O poder político institucional é exercido por meio de representantes e partidos eleitos pelo voto. Quando votamos num candidato, também votamos num partido. Ambos são financiados por grandes empresas, cada qual com seus interesses. Lá na frente sempre vem a cobrança da fatura dos financiadores de campanhas milionárias. É a falsa lógica da democracia representativa para enganar o povo.

É só olhar a prestação de contas dos candidatos para saber quem é quem. Empresários e profissionais liberais de setores como turismo, educação, saúde e construção civil financiam as duas candidaturas que polarizam o pleito em Foz. Além disso, diretórios nacionais dos partidos “investem” em seus candidatos, ou seja, comandos políticos em Curitiba e Brasília, centros políticos do Paraná e do Brasil, onde tudo se negocia. Nascem no berço do poder econômico e político institucional. São financiados por eles. Governarão para eles.

Por essas razões, o PCB defende o voto nulo nestas eleições municipais de 2017.

 

Poder popular

politica-votoO PCB denúncia o sistema que favorece grupos aliados a partir de interesses econômicos. O oportunismo político usa a prefeitura para promover pessoas e empresas, gerando a corrupção, perpetuando a concentração de riqueza e a desigualdade social. Isso é um obstáculo à democracia popular e um descaso dos governantes às nossas necessidades.

Precisamos organizar-nos para a defesa dos interesses da população. É preciso fortalecer instrumentos para formação de consciência e de luta pelos direitos dos trabalhadores e das minorias historicamente oprimidas. É necessário que a classe trabalhadora participe de movimentos sociais, sindicatos e organizações alinhadas à esquerda. Junte-se ao PCB e ajude a construir o poder popular!

PCB (Partido Comunista Brasileiro)
Foz do Iguaçu, 27 de março de 2017.

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