Mulheres marcham pelo pelo centro de Foz

PCB Foz 14 de março de 2013 Comentários

Quem diria… Foz do Iguaçu estreou no circuito das Marcha das Mulheres nesta sexta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. E o melhor: com identidade própria, batizada de “Marcha de Las Mujeres Latino Americanas -  Porque todas somos una!“. A moçada levou para as ruas e avenidas centrais bandeiras como a luta contra o machismo, pela igualdade de direitos, pela defesa do prazer, além de liberdade e integração latino-americana.

CLIQUE E ESCUTE as palavras de ordem que quebraram o silêncio no centro:
♫ Vem, vem…, vem pra luta vem contra o machismo.
♫ A nossa luta é todo dia, eu sou mulher e não mercadoria.
♫ O corpo é da mulher, ela dá pra quem quiser, inclusive pra outra mulher.
♫ Se cuida, se cuida, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista.
♫ Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que eu escolhi…. De burca ou de shortinho, todos vão me respeitar!

Essas palavras foram ecoadas por cerca de 200 mulheres e homens pelas avenidas JK, República Argentina e Brasil, e ruas Jorge Sanways e Santos Dumont. A maioria era de acadêmicos da Unila, mas professores e funcionários da universidade igualmente engrossaram o coro. O protesto reuniu ainda alunos da Unioeste e militantes de movimentos sociais.

A rebeldia também estava evidenciada nos cartazes, nas faixas e corpos pintados da cabeça aos pés (a pintura é uma das fortes marcas da Marcha das Vadias mundo afora). Para completar, panelaço, apitaço e distribuição de panfletos denunciando a opressão da mulher pelo homem, bem como a violência física contra “las mujeres”.

Tudo de forma pacifica e ordenada, sempre em meia pista para não atrapalhar o tráfego dos veículos no caminho da Praça da paz, passando pelo Batalhão, baixada da Avenida Brasil e por fim Cantina Pão e Vinho, onde todos celebraram o Dia da Mulher em um sarau com muita poesia e exposição de fotos em telão.

Avaliação – A aluna de antropologia Lays Furtado fez a relação da Marcha de Las Mujeres Latino Americanas foi inspirada na Marcha das Vadias. “Só o fato de a gente ir pra rua é tão simbólico numa cidade tão conservadora. Queremos aproveitar esse contexto que a gente está, várias nacionalidades, várias opiniões diferentes, vários lugares”, argumentou. Escute a entrevista.

Para Karina Fernandes, aluna de Economia, ainda falta criar um coletivo que pense a questão de gênero para além de  uma marcha no dia 8 de março. Na avaliação da universitária, o movimento foi positivo porque levantou as bandeiras do feminismo e integrou universidade e comunidade.  “A maioria das mulheres pegou o panfleto e apoiou a causa”. Escute a entrevista.

A estudante uruguaia Gimena Machado, Ciência Política, destacou que a marcha buscou gerar conscientização nas ruas. “O Dia das Mulheres é parar gerar consciência, não para ganhar rosas ou bombons. A recepção das pessoas foi boa. É preciso ter muitos 8 de março em conjunto com a população”, afirmou. Escute a entrevista.

Dia de luta – A Marcha de Las Mujeres Latino Americanas completou uma programação realizada pelo coletivo de organizações que fizeram deste Dia da Mulher algo diferente no município. À tarde, na Fundação Cultural, foi exibido o filme peruano “La Teta Assustada”, depois houve um debate com uma representante de “La Marcha de lãs Putas”.

A organização das atividades de hoje foi do Coletivo Indepiendente de la Unila e do Projeto Panambi, com apoio do Coletivo Ana Montenegro, Casa da América Latina, Comunidade Cidade Nova Informa, Guatá, APP-Sindicato, Casa do Teatro, Centro de Direitos Humanos e Memória Popular e Fundação Cultural.

________________________________

MEGAFONE – Alexandre Palmar