Sobre as eleições, a política e as pesquisas de intenções de voto

PCB Foz 15 de outubro de 2012 Comentários
Sobre as eleições, a política e as pesquisas de intenções de voto

2012 foi a vez das eleições municipais, para prefeitos e vereadores. Talvez, este seja o momento em que a política tenha uma maior proximidade com os indivíduos, grupos e classes sociais. Momento em que os candidatos são aqueles que se conhece mais de perto. Parentes, amigos, vizinhos, amigos dos amigos, etc. Pode-se dizer até em uma certa “organicidade” entre a política e a vontade social.

Claudio Reis

2012 foi a vez das eleições municipais, para prefeitos e vereadores. Talvez, este seja o momento em que a política tenha uma maior proximidade com os indivíduos, grupos e classes sociais. Momento em que os candidatos são aqueles que se conhece mais de perto. Parentes, amigos, vizinhos, amigos dos amigos, etc. Pode-se dizer até em uma certa “organicidade” entre a política e a vontade social.

Entretanto, mesmo que esse movimento seja bastante importante para o fortalecimento do debate público, impulsionado pelas eleições municipais, ele ainda não possibilitou a superação daquilo que se chama “pequena política”.

Esse fato ocorre por uma série de aspectos que predominam na vida social. Um deles, certamente, corresponde ao difundido e defendido pragmatismo político, isto é, a política que se pretende fora do âmbito das ideológicas, defensora de uma falsa neutralidade perante os interesses presentes na sociedade. Em parte é esse amesquinhamento da política que explica toda a legitimidade das empresas de pesquisas sobre as intenções de voto, em época de eleições.

Tendo como um cenário: 1) a predominância do marketing no processo político – quando, em geral, tenta-se vender uma imagem do candidato-mercadoria – ; 2) a desideologização de todo o processo, transformando partidos em representantes de interesses “puros” e “universais”, deslocados das contradições sociais; 3) e a falta de um debate profundo acerca da “grande política”, isto é, sobre a possibilidade de se construir um novo Estado ou mesmo uma nova sociedade, partido de uma leitura concreta da história; é que as pesquisas de opinião ganham força. Afinal, como dizem: “sobre a frieza dos números não há o que questionar.”

Como todos esses elementos são ideológicos, quase sempre sem qualquer organicidade com a “verdade efetiva da coisa”, nas palavras de Maquiavel, surgem descompassos grosseiros entre as pesquisas e o que de fato ocorre pós-votação. Em Foz do Iguaçu ou em outras cidades, os números fornecidos por essas empresas significaram um grave ataque, principalmente, para as forças políticas concretamente comunistas.

Toda a inflação de votos, criada artificialmente, visa não só beneficiar certos candidatos, mas, sobretudo, retirar de fora o otimismo da vontade muitas vezes presente nas classes subalternas. O que resta? O pessimismo da inteligência, fundamentado no chamado “voto útil”, isto é, no pragmatismo do “mal menor” e, assim, no enfraquecimento da crença sobre a possibilidade de se construir um outro mundo.

Fundamentadas na realpolitik (dimensão da política como prática imediata), as pesquisas de opinião só beneficiam aqueles que não atacam o status quo, mesmo que um deles se saia prejudicado. Quem perde? Todos aqueles que trazem ao debate a grande política, a unidade entre pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade, os defensores da superação concreta do capital. Estes são os grandes afetados.

O que deve se fazer frente a isso é desmontar, por meio da práxis, o pragmatismo, a predominância da frieza dos números sobre a vida de carne e osso e a desideologização da política. Somente assim é que a falta de organicidade dessas pesquisas sobre o mundo vivido, terá como expressão o fortalecimento dos movimentos pela emancipação humana e pelo fim histórico da relação entre governantes e governados.

Claudio Reis é militante do PCB em Foz do Iguaçu.