Correios privatizado, povo prejudicado!

PCB Foz 25 de agosto de 2017 Comentários
Correios privatizado, povo prejudicado!

Não é de hoje que os Correios vêm agindo de modo a convencer a população e os trabalhadores que a única saída para recuperar a empresa da “crise” é a privatização. Porém, os Correios é propriedade do povo brasileiro e uma das maiores empresas do país e sempre foi considerada de excelência na qualidade dos serviços. Apesar do brutal processo de sucateamento pelo qual vem passando desde 2008, já por conta do processo de privatização, a ECT tem o respeito dos cidadãos e tem que continuar 100% pública e estatal.

Além de ser uma empresa de comunicação, os Correios também fornece de sua logística ao estado brasileiro, que implanta as suas principais políticas públicas: distribuição dos livros do MEC; distribuição das provas do ENEM; logística da execução dos processos eleitorais (urnas); transporte e distribuição das vacinas e das campanhas de saúde (ex:leite materno).

Apesar da importância para a população e para o próprio estado brasileiro, é possível perceber uma precarização brusca dos serviços oferecidos, como, por exemplo, a Distribuição Direta Alternada (DDA), que retira o carteiro das ruas diariamente, a decisão de fechamento das agências e CDD’s (Centro de Distribuição Domiciliárias) aos sába­dos, e o fechamento de agências deficitárias.

Os Correios vêm sucateando seus serviços e agindo de maneira jurídica com o objetivo de entregar completamente a em­presa ao capital privado. O processo de privatização dos Correios já começou há mui­tos anos, e vem se tornando cada vez mais visível, abandonando a sua função social e seguindo a ideia das empresas capitalistas.

A sociedade e os trabalhadores sofrem com esse processo. São atrasos, problemas em produtos e suspensão de entregas em áreas de risco; filas para a liberação de cartas e encomendas em agências e centros de distribuição; ausência de vigilantes nas unidades; falta de material de trabalho e infraestrutura adequada; não realização de concursos; acúmulo de funções (o funcionário é atendente e operador de Banco Postal); suspensão das férias dos trabalhadores; precarização e ameaça da re­tirada do plano de saúde; depreciação da frota para entregas e fechamento de unidades.

Há 5 anos, os Correios chegou a ter em seu quadro próprio 127 mil trabalhadores, e mesmo com o crescimento demográfico da população e dos serviços, ela diminuiu o número de trabalhadores, contando hoje com cerca de 110 mil. Milhares de trabalhadores foram demitidos através dos PDIAs, e a empresa ainda ameaça promover demissões em massa, alegando motivações financeiras.

O processo lento e gradual de privatização dos Correios teve como um dos seus marcos o projeto da MP-532, 2008, e a Lei 12.490/11, que alterou o estatuto da ECT, transformando a empresa em sociedade anônima de capital fechado, permitindo constituir subsidiária, coligadas, parcerias para suas atividades fins, o que trouxe inúmeras possibilidades de privatização.

Desta forma, os Correios deixarão de ser somente público, para poder ter capital misto a partir de sociedade com outras empresas. Um exemplo disso foi a criação da CorreiosPar, uma subsidiária dos Correios que expande a atuação da empresa em outros ramos, através da compra e de sociedade com grupos privados.

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